A Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre ficou conhecida por se opor ao regime militar, durante ditadura

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No dia 24 de agosto de 1974, em meio à ditadura militar, a Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre – Coojornal – era fundada. Nesta época, o presidente era o general Ernesto Geisel, quarto general-presidente da ditadura. A cooperativa nasceu de um desejo de jornalistas inquietos, que queriam um jornalismo mais ousado, inovador, em uma redação em que eles tivessem uma democracia e autonomia maior.

O grupo de profissionais incluía editores, subeditores, redatores, repórteres, fotógrafos, diagramadores, chargistas e ilustradores. Eles produziam materiais para revistas e jornais de fora de Porto Alegre ou do Estado, assinando como “Agência Coojornal”. Chegaram a produzir reportagens para revistas como Istoé e Status. A cooperativa fazia a revista Agricultura & Cooperativismo para a Federação das Cooperativas de Trigo e Soja (Fecotrigo), que chegou a receber prêmios jornalísticos por conta das inovações de texto e imagem. Entre suas publicações, também produziam o boletim técnico Trigo e Soja, o Jornal do Inter e o Jornal do Grêmio.

No entanto, o produto da Cooperativa de Jornalistas que ficou mais conhecido foi o mensário impresso chamado Coojornal, que começou como um pequeno boletim para seus associados. O interesse pelo material foi ficando cada vez maior, até que, em novembro de 1975, ele se tornou mais completo, com 28 páginas, e passou a ser vendido nas bancas, com a tiragem de 8 mil exemplares.

A Coojornal teve 9 anos de duração, chegando ao fim em 1983. Mas, ao longo deste período, chegou a ter cerca de 350 associados, editou 13 publicações para terceiros e distribuiu cerca de 142 mil exemplares mensais do mensário impresso.

Neste meio tempo, ocorreu uma mudança na gestão. Os cooperados entraram em divergência entre os que desejavam que a cooperativa seguisse pluralista (com jornalistas de esquerda, centro e direita) e os que se identificavam apenas com uma posição política mais à esquerda, querendo demonstrar este posicionamento no jornal. Muitas pessoas acabaram saindo da cooperativa, o que a enfraqueceu diante da perseguição do regime militar. O ataque foi feito ao seu sustento econômico, por meio da pressão aos anunciantes que ficavam amedrontados e retiravam seus anúncios publicitários.

Mesmo com seu fim, a Cooperativa de Jornalistas teve grande importância durante os seus 9 anos de existência, ficando conhecida por “incomodar” a ditadura militar. Diferentemente dos outros veículos, o Coojornal ignorava a censura e publicava matérias com assuntos considerados proibidos pelos militares, sofrendo processos judiciais e tendo jornalistas encarcerados, como consequência. A cooperativa foi um exemplo de jornalismo democrático, de resistência, e inspirou a criação de outras 12 cooperativas de jornalistas no país.

Fonte: Sul 21

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