A Clownperativa iniciou seus trabalhos em fevereiro deste ano

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Quando a gente está passando por alguma dificuldade, quase sempre tem aquele amigo que faz coisas engraçadas para nos colocar um sorriso no rosto. Talvez você também já tenha estado nesse papel de “palhaço”. Nem sempre dá para resolver o problema, mas é possível torná-lo menos doloroso por meio da graça. Essa motivação de ajudar alguém a se sentir melhor tem tudo a ver com o cooperativismo. Até porque, quando fazemos algo por outra pessoa, acabamos fazendo pela gente também, evoluímos e aprendemos com a vivência dos outros.

Com o intuito de ajudar pessoas por meio do riso, um grupo artístico de palhaços decidiu formar uma cooperativa: a Clownperativa. “O Palhaço trabalha com a verdade como valor principal. Trabalha com aceitação, resiliência, seguir adiante, apesar dos percalços”, explicam. Entrevistamos os participantes da Clownperativa, que contaram um pouco sobre o grupo. Confira:

Geração Cooperação – Como surgiu a ideia de criar a Clownperativa? Quando que ela iniciou?

Clownperativa – A ideia surgiu a partir das visitas à internação pediátrica do Hospital da Criança Conceição em Porto Alegre. Estas visitas reuniam vários artistas-palhaços de vários grupos que periodicamente levavam a energia transformadora do palhaço para as crianças, familiares e funcionários do hospital. Com o tempo foi-se percebendo que esta parceria rendia muitas trocas e que poderíamos expandir essa potencialidade transformadora do palhaço, que percebemos no hospital, para muitos outros ambientes e que este trabalho inclusive ajudaria a sustentar a ação voluntária no hospital e assim, oficialmente no dia 01 de fevereiro de 2017 criamos a Clownperativa.

Geração Cooperação – Quais são as atividades realizadas? Com que frequência vocês realizam elas? Em quais locais?

Clownperativa – As atividades se dividem em três áreas:

1 – Ações Sociais: é a essência do nosso grupo, que, afinal, formou-se a partir dessa ideia, assim, fazemos visitas periódicas ao hospital; intervenções de Clown no cotidiano da cidade, visando sempre um momento de transformação e alegria e, participação em alguma outra causa social que seja considerada relevante pelo grupo.

2 – Ações Formativas: oficinas de Clown e temas afins ministradas por componentes do grupo ou por convidados, palestras, debates, exibição de filmes, sempre com o intuito de aprimoramento sobre a arte da palhaçaria e troca de experiências.

3 – Intervenções e Apresentações de Clown nos mais variados ambientes como escolas, empresas, serviços de saúde, etc. visando a promoção de bem-estar e desenvolvimento humano através desta arte.

Geração Cooperação – Como vocês se organizam financeiramente? Como vocês tomam as decisões na cooperativa? Possuem algum estatuto?

Clownperativa – O participante da cooperativa contribui com uma mensalidade que tem o objetivo de cobrir despesas de manutenção e divulgação. Além disso, um percentual dos trabalhos realizados também é destinado para o grupo. As decisões da cooperativa são coletivas e tomadas em reunião presencial quando envolvem a todos ou ainda em pequenas reuniões por núcleo envolvido na gestão de alguma ação específica. Como o grupo ainda é pequeno e está iniciando por enquanto temos um documento base que serve como estatuto e regulamento interno porém ainda informal em termos jurídicos.

Geração Cooperação – Por que vocês optaram pelo cooperativismo como modelo de trabalho?

Clownperativa – Entendemos que este modelo propicia a parceria entre palhaços de modo a incentivar tanto o desenvolvimento pessoal como do grupo.

Geração Cooperação – Quem são as pessoas que fazem parte do grupo? Quantas são?

Clownperativa – Hoje somos seis pessoas que compõem a Clownperativa:

Daniel Gustavo – Palhaço, Ator e Professor, graduado em Letras e graduando em Teatro, ambos pela UFRGS, faz parte do Grupo Trilho;

André Rabello – Palhaço e Professor, formado em Ciências Sociais pela UFRGS, faz parte do Grupo Ahow;

Patrícia Rocha – Palhaça, Produtora e Psicopedagoga, formada em Direito pela PUCRS e Psicopedagogia pela UNIASSELVI, faz parte do Grupo Ahow;

Eduardo Schenini – Ator, Diretor Teatral, Palhaço e Tecnólogo em Processos Gerenciais, faz parte do Neip – Núcleo de Estudos e Intervenções de Palhaço;

Rita Pereira Barboza – Palhaça e Psicóloga, Mestre em Psicologia Social e Institucional, faz parte do Neip – Núcleo de Estudos e Intervenções de Palhaço;

William Fossati – Palhaço e Ator, graduando em Teatro pela UERGS.

Geração Cooperação – Quais benefícios o trabalho de vocês traz para a comunidade?

Clownperativa – O Palhaço, com lirismo e poesia, é um ser frágil e falho, mas que apesar de tudo não desiste nunca de seus objetivos. Ele vivencia a graça das situações em sua maneira particular de observar o mundo. O Palhaço interage artisticamente com o aqui e o agora e responde a partir da experiência única que cada situação vivenciada traz consigo, é uma lente de aumento da situação. Potencializa-se, assim, o poder de transformação e autoconhecimento que o riso pode oferecer.

Geração Cooperação – O que a atividade artística tem a ver com a cooperação?

Clownperativa – A arte é muito sensível, ao contrário de outras atividades, não existe nenhum artista igual ao outro. O sistema cooperativo permite que consigamos conhecer melhor o outro, suas características, seu perfil e ser mais assertivos no direcionamento de trabalhos e atividades.

Geração Cooperação –  Por que vocês escolheram ser palhaços?

Clownperativa – O Palhaço trabalha com a verdade como valor primeiro, trabalha com aceitação, resiliência, em como seguir adiante, apesar dos percalços. É uma lição de vida que não podemos negligenciar aos outros, temos uma responsabilidade a partir do privilégio de pertencer a este grupo.

Geração Cooperação –  Outras pessoas podem fazer parte da Clownperativa? Se sim, de que forma?

Clownperativa – Sim. Fazemos uma análise de currículo e perfil dos interessados. Buscamos pessoas que tenham consciência do poder do nariz vermelho, poder que ultrapassa a simples animação e a figura do personagem palhaço e atinge, com muita responsabilidade, níveis mais sensíveis do ser humano.

Continue no blog: Arte e circo em cooperação

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