Imagine o compartilhamento entre usuários que empresas como Uber tornaram popular, mas com chefes diferentes.

Já recomendamos aqui no Geração Cooperação a leitura do livro Cooperativismo de Plataforma“, escrito por Trebor Scholz e traduzido por Rafael Zanatta. Trebor traz sempre um olhar interessante sobre a relação entre o cooperativismo e a economia de compartilhamento, também escrevendo artigos sobre o assunto. Para entender melhor a relação entre os modelos, batemos um papo com o autor, para quem o maior significado do cooperativismo de plataforma é criar “empoderamento para que as pessoas mais jovens possam coletivamente criar um futuro melhor de trabalho”. Mas, e a economia de compartilhamento?

Um dos principais slogans da economia de compartilhamento é o acesso, e não a possessão, já que as pessoas, e os jovens em especial, estão cada vez menos interessadas em possuir bens, mas sim em utilizá-los conforme a demanda. Foi nesse contexto que grandes empresas de tecnologia, como Uber e Airbnb, nasceram e floresceram. Sem infraestrutura própria, operam através do carro, apartamento, força de trabalho e, mais importante, tempo de seus funcionários.

Grande parte do sucesso da economia de compartilhamento é sua utilização das plataformas digitais. No cooperativismo de plataforma não é diferente. Produtos ou serviços de administração coletiva se utilizam de um site ou aplicativo para comercializar sua oferta através da rede, algo que é cada vez mais normal em nossas vidas.

Entretanto, neste modelo a grande diferença para a economia de compartilhamento é que a propriedade e sua gestão estão nas mãos dos trabalhadores, usuários e outros participantes, sem a necessidade de utilização da infraestrutura na nuvem de uma grande empresa. Ao garantir que o valor social e financeiro das plataformas circule entre esses indivíduos, o sistema fica mais justo para a economia, se compararmos com o modelo corporativo habitual.

Baseada na França, a primeira plataforma cooperativa de turismo de pessoas para pessoas, a Oiseaux de passage, criou um quadro comparativo com o turismo colaborativo, caso de empresas como Airbnb. Resumindo, é possível entender ainda mais as diferenças e similaridades:

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Fique ligado:

As plataformas cooperativas se diferem das cooperativas tradicionais não só por causa do uso de tecnologias, mas também pela sua participação e contribuição no universo digital livre e aberto (commons). Se você achou interessante, não é a toa: conforme Trebor, os jovens fazem parte do movimento social que mais se engaja com o cooperativismo de plataforma.

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