A Capital gaúcha abriga duas importantes cooperativas especiais:
a CrêSer e a Coopersocial.

post-Cooperativismo-Social

As cooperativas sociais – ou especiais – são entidades ainda novas na realidade e na legislação brasileira. Elas situam-se em um campo mais amplo das chamadas “empresas sociais”, ou empresas do terceiro setor, e se constituem em importantes ferramentas para a inclusão social de pessoas em desvantagem no mercado e na sociedade, como, por exemplo, dependentes químicos, apenados em regime não fechado, ex-presidiários, pessoas com deficiência, entre outros grupos.

História

O cooperativismo especial surgiu na Itália, no ano de 1978, com a aprovação da Lei 180, que permitiu a criação desse tipo de cooperativa. A partir daí, a chamada Psiquiatria Democrática Italiana deu início a essas atividades, criando cooperativas que admitiam 30% de seus associados com histórico de problemas psiquiátricos. Após a Itália, França, Portugal, Bélgica e outros países da Europa abraçaram essa nova forma de cooperativismo.

Diante dessa tendência, em 1999 o Brasil aprovou a Lei nº 9.867, que dispõe sobre a criação e o funcionamento de cooperativas sociais. Segundo o seu texto, essas cooperativas especiais visam à integração social dos cidadãos, e são constituídas com a finalidade de inserir as pessoas em desvantagem no mercado econômico por meio do trabalho. Na denominação e razão social dessas Cooperativas, é obrigatório o uso da expressão “Cooperativa Social”, aplicando-se a elas todas as normas relativas ao setor cooperativo.

Contrário a outros sistemas empresariais, o cooperativismo privilegia o homem em detrimento do capital, e, talvez por essa característica histórica, ele foi o sistema organizacional escolhido como matriz de empresa social capaz de promover a inclusão. Assim, as cooperativas especiais cumprem um papel importante como iniciativa socializadora de fato, muito além da inclusão social subjetiva: o trabalho nas cooperativas sociais significa construção real de oferta de trabalho para pessoas em desvantagem social às quais o mercado não facilita oportunidades.

Diferenciais

Os princípios que regem as cooperativas especiais são os mesmos que regem o cooperativismo, com o acréscimo de alguns valores: promoção de atividades educativas, capacitações e acompanhamento psicossocial, por exemplo. Por trabalhar com pessoas especialmente consideradas privadas de capacidades físicas, mentais ou sociais, as cooperativas sociais têm como ponto central a educação, e este é um diferencial com relação a outros tipos cooperativos.

Outro diferencial diz respeito aos seus associados. Como os cooperados, em muitos dos casos, são apenados ou deficientes mentais, por exemplo, é permitido que a eles se juntem sócios voluntários, pessoas que não estejam incluídas na definição de pessoas em desvantagem e que prestem serviços à cooperativa gratuitamente. Os voluntários são pessoas engajadas em auxiliar a cooperativa de acordo com suas potencialidades pessoais. Eles auxiliam na administração, na educação, na busca por parcerias, etc.

As cooperativas especiais mostram que uma nova realidade é possível e que o cooperativismo é uma alternativa contra as misérias sociais, por promover o desenvolvimento, auxiliando seus cooperados na obtenção da cidadania plena através do trabalho.

Em Porto Alegre

A Capital gaúcha abriga duas importantes cooperativas especiais: a CrêSer e a Coopersocial.

A Cooperativa Social Especial CrêSer tem por objetivos o atendimento de jovens e adultos com deficiência mental, maiores de 21 anos, oferecendo-lhes espaço de trabalho, de produção e de geração de renda. Além disso, a CrêSer oferece um espaço de Educação de Jovens e Adultos através de uma parceria com a Prefeitura de Porto Alegre.

Já a Cooperativa Social de Produção e de Prestação de Serviço de Porto Alegre – Coopersocial, atende adultos, pessoas com deficiência e proporciona atividades ocupacionais que permitem a inclusão social por meio do trabalho. A Coopersocial produz fraldas, absorventes geriátricos e sacos para lixo, mostrando que é possível o trabalho e a integração social deste público.

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