O Setembro Amarelo acabou, mas não podemos parar de falar sobre o assunto. Ainda mais quando o cooperativismo é usado como ferramenta no tratamento da doença.

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No Acre, a adolescente Yara Bardalles, de 16 anos, foi diagnosticada com depressão e transtorno bipolar, e acabou encontrando no cooperativismo o caminho para ajudar não somente a si mesma, mas também a toda a comunidade.

Essa história a gente descobriu no site Psicologias do Brasil, com informações do Portal G1, e vale a pena você ler!

A partir do diagnóstico, ela conheceu o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) Samaúma, localizado no Bairro Morada do Sol, na Capital, Rio Branco, onde iniciou seu tratamento pela rede pública de saúde.

Com o convívio cotidiano com os diretores do CAPS II e demais pacientes, Yara percebeu que algumas pessoas deixavam de participar das atividades no local e até mesmo abandonavam os tratamentos por falta de recursos financeiros para custear o transporte e outras despesas.

O cooperativismo como ferramenta

Foi a partir dessa dificuldade dos pacientes que surgiu a ideia de vender o artesanato que os próprios pacientes produziam durante os encontros da terapia ocupacional.

Deixa que a própria Yara conta: “A gente estava observando que tinha muitos pacientes que não conseguiam mais custear a ida até lá. Então, pensamos em uma estratégia que a gente pudesse fazer algo para que essas pessoas pudessem manter esse tratamento”.

Dessa ideia simples, surgiu a cooperativa Ciranda Samaúma, onde os pacientes produzem artesanatos durante a terapia ocupacional e vendem em eventos promovidos pela Secretaria Estadual de Saúde e, também, através de encomendas feitas pelas redes sociais.

O objetivo da cooperativa Ciranda Samaúma é empoderar tanto social como financeiramente os pacientes acolhidos no local, permitindo que eles custeiem suas despesas e não precisem largar os tratamentos.

Efeitos positivos na luta contra a depressão

Durante o mês do Setembro Amarelo, a cooperativa se uniu em diversas ações e, segundo a própria Yara, o trabalho tem trazido efeitos positivos na luta contra a depressão.

Além disso, o grupo se ajuda e, quando alguém tem habilidade em desenvolver determinado produto, ele ajuda o outro. Todas as peças, segundo ela explica, têm um conceito.

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Os próprios pacientes também são os responsáveis por desenvolver todas as relações sociais da Ciranda Samaúma, gerando propósito nos associados, fundamental para o tratamento da depressão.

“A cooperativa tem um poder muito grande de empoderar as pessoas. Eu tenho dificuldades para falar, mas tenho que estar ali explicando o produto, falando com as pessoas, explicando a cooperativa de tudo e isso me ajudou nesse meio”, conta Yara.

“A cooperativa tem funcionado de forma terapêutica”

E o que dizem os profissionais sobre a cooperativa?

A coordenadora assistencial do CAPS II Samaúma, Emelym Tonelly, diz que viam a dificuldade das pessoas e por isso pensaram em algo que trouxesse melhoria financeira, mas o resultado acabou sendo melhor que o planejado.

“Estamos percebendo, hoje, que ela está para além disso [retorno financeiro], porque estamos vendo que tem pessoas que estavam em estado agravado, e a cooperativa tem funcionado de forma terapêutica”, disse.

Quando surgiu a ideia da criação da cooperativa, Yara esteve presente desde o primeiro momento, criou o logo e tem atuado de maneira ativa para que o grupo permaneça unido e crescendo.

“Ela está muito nisso, desde o início e foi fundamental nesse projeto. Yara veio ao CAPS de forma que não queria mais viver. E agora ela está bem mais avançada, bem mais amadurecida. Mesmo que as crises venham, porque podem vir, mas não estão mais tão intensas como antes”, pontua Emelym sobre os efeitos da cooperativa na vida de quem é acolhido na unidade.

Orgulho para a mãe

E olha só que legal o que diz a mãe da Yara sobre o bem que a cooperativa está fazendo para a filha!

A mãe dela, a contadora Gleni Bardalles, de 39 anos, diz que, antes de tudo, enquanto família, é importante participar de perto, motivo pelo qual ela faz parte da cooperativa.

“Fico muito feliz. Tenho um orgulho imenso porque conheço o potencial dela [Yara] e sei que pode crescer muito e ajudar as outras pessoas”, comemora.

Gleni diz que muitas pessoas que vivem com esse quadro, às vezes, são excluídas da sociedade por causa do preconceito, de não serem compreendidas. “E a gente sabe que não é bem assim e por isso é tão importante esse empoderamento”, afirma.

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Neste momento, ela diz que o amor mostra para eles que a família está ali para o que der e vier. “Foi uma coisa que aprendi no CAPS que foi de fundamental importância, porque antes não sabia lidar com a minha filha, não entendia a patologia dela e, quando conheci o CAPS, fui aprendendo a lidar e como reagir diante de uma crise”, conta.

Os próximos passos da Ciranda Samaúma

A cooperativa ainda é nova, está apenas começando. A diretoria foi formada recentemente e deve ganhar forma jurídica nos próximos dias com criação do CNPJ e funcionar dentro da lei.

Yara é vice-presidente e diz que está orgulhosa em poder ver os resultados que a atividade tem trazido em sua vida, além de refletir no tratamento de outras pessoas.

Atualmente, são pouco mais de 20 membros que têm trabalhado e, além de fazer parte do tratamento, ainda tiram um lucro financeiro e são fortalecidos na luta contra a depressão e outros transtornos.

Números relativos à depressão

O Brasil é conhecido no exterior como o país da alegria e da cordialidade, mas a realidade se mostra bem diferente, e os números relacionados a transtornos de ansiedade e depressão no Brasil são altos.

Segundo a Associação Brasileira de Psicanálise, cerca de 10% dos adolescentes brasileiros sofrem de depressão, porém, no caso dos adolescentes, os sintomas podem ser confundidos com comportamentos típicos da idade.

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 5,8% da população brasileira sofre de depressão, o que representa 11,5 milhões de brasileiros com a doença em números absolutos.

O Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência no continente americano, ficando um pouco atrás dos Estados Unidos, que tem 5,9% de depressivos.

De acordo com uma pesquisa do Ibope, realizada sob encomenda da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), as classes C e D são as mais vulneráveis à depressão. A pesquisa identificou sintomas depressivos em 25% das pessoas desse estrato social, contra 15% das classes A e B.

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Esses números só aumentam a importância de iniciativas como a cooperativa Ciranda Samaúma, situada na periferia de Rio Branco (AC), pois é nesses locais que a dificuldade em se conseguir um atendimento psicológico pelo SUS e a falta de uma gama mais ampla de medicamentos fazem com que o problema não seja bem combatido.

Entenda a depressão

A depressão é uma doença grave que, se tratada corretamente, tem cura. Cerca de 60% a 80% dos casos podem ser tratados com medicação e psicoterapia em um atendimento primário.

Sendo assim, identificar os sintomas da depressão, entre eles a falta de ânimo para viver, sensibilidade e emoções à flor da pele, distúrbios no sono, e entender a seriedade do problema são os primeiros passos para ajudar a pessoa depressiva a reverter essa adversidade.

São várias as causas da doença, e em muitos casos, seu aparecimento está associado a fortes impactos vividos, como perdas, lutos, doenças, conflitos nos relacionamentos, dificuldades ou perdas financeiras.

Vida longa à Ciranda Samaúma!

Ufa, este artigo ficou longo e mais sério do que costumamos falar aqui no blog do GC, mas o assunto trazido pela cooperativa Ciranda Samaúma e o Setembro Amarelo exigem essa seriedade.

Nós, do Geração Cooperação, desejamos vida longa à Ciranda Samaúma e muito sucesso a todos associados no tratamento da depressão e de outros transtornos. E que muitas outras cooperativas surjam a partir dessa ideia, para que muitas outras pessoas com depressão possam ser ajudadas em todo o Brasil.

Lembramos que é, sim, importante sempre falar sobre essa doença. Se alguém perto de você estiver passando por depressão, leve a sério as mudanças de comportamento e ofereça ajuda.

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