Daqui a trinta anos, quando enfrentaremos o fim das profissões e mais empregos serão ‘uberizados’…”

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É assim que começa a descrição do livro Cooperativismo de Plataforma, um dos primeiros links que surgem quando a gente pesquisa o nome Trebor Sholz na internet. Ou seja, já no prefácio da edição brasileira do livro em PDF, a atenção é direcionada para a UBER, um dos principais ícones da economia de compartilhamento. Por que será?

Nós acreditamos que é porque Cooperativismo de Plataforma e Economia de Compartilhamento são conceitos completamente diferentes, mas, de certa forma, próximos. Pode confundir um pouco. Foi por isso que decidimos preparar este pequeno resumo para você. Aí vai.

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Economia de Compartilhamento. Até onde vai o benefício?

A economia do compartilhamento surgiu como solução on-line para demandas simples do cotidiano e para a contínua diminuição da oferta de emprego para profissionais com formação superior.

Por um lado, a determinação das pessoas em racionalizar a aquisição de posses e as despesas do dia a dia, para otimizar os ganhos pessoais; por outro, a necessidade de fazer “bicos” para complementar a renda familiar.

Seria de esperar que tendências tão complementares trouxessem só benefícios para todos. Mas nem sempre. Apesar da aura de inovação acessível, a maioria dos exemplos de economia de compartilhamento demonstrou não ser tão democrática para quem oferece os serviços, produtos ou talentos.

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  • Os fornecedores dos bens ou serviços não têm voz na gestão do negócio das empresas. Ficam sujeitos a regras que podem mudar a qualquer momento: afinal, a economia de compartilhamento não é regida por nenhuma lei específica.
  • Transporte, alimentação, hospedagem e muitos outros produtos e serviços ficaram mais em conta e acessíveis para quem consome, mas nem sempre para quem fornece.
  • O objetivo fundamental são lucros corporativos. Isso aumenta a concentração da riqueza na mão de poucos.
  • A curto prazo, benefícios para consumidores, corporações e investidores, mas com desvantagens para trabalhadores e proprietários dos bens. A longo prazo: imprevisível.
  • O objetivo aqui não é afirmar que as empresas da era da Economia de Compartilhamento não são benéficas para o consumo e para a economia, mas…
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E se os fornecedores dos serviços e produtos pudessem ter relação direta com os consumidores, sem intermediários, potencializando ganhos e participando das decisões? E se pudessem ser seus “próprios donos”?

 

Cooperativismo de plataforma: utopia ou alternativa possível para muitos?

O cooperativismo se organiza sob a forma de autogestão. É centrado na valorização do ser humano, não do capital, e caracterizado pela igualdade, sendo uma das principais manifestações da Economia Solidária.

Boa notícia: o cooperativismo está muito vivo em todo o mundo, inclusive no Brasil. Conforme o relatório da Organização das Cooperativas Brasileiras (2015), são mais de 6.500 cooperativas no país, com cerca de 13 milhões de cooperados.

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A ideia das plataformas de cooperativismo é exatamente esta: aproveitar o potencial da internet para a formação de comunidades e estabelecer negócios em que as próprias pessoas se envolvem nos diferentes tipos de troca. Mas aí, elas mesmas gerenciam, têm voz e conseguem se beneficiar do retorno financeiro.

 

Segundo Trebor Sholz, o Cooperativismo de Plataforma se baseia em três aspectos:

1) Abraça as mesmas tecnologias da economia de compartilhamento, mas com modelo de propriedade que adere a valores democráticos.

2) Abraça a solidariedade, que é indispensável quando a força de trabalho é distribuída e, muitas vezes, anônima.

3) Ressignifica conceitos como inovação e eficiência, porque visa a benefícios para todos e não à sucção de lucros para poucos.

 

Tudo isso isso faz muita diferença. Compare:

1) TaskRabbit

Empresa que agenda a montagem dos móveis Ikea pelo aplicativo, recebe de 20% a 30% do valor em cada transação.

Na Loconomics

Na cooperativa de trabalhadores freelancers de São Francisco, na Califórnia, os membros são donos de ações, recebem dividendos e possuem voz na gestão da empresa.

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2) Fairmondo 

Cooperativa de comércio online em que os funcionários e usuários são os donos. Considerada alternativa “mais justa” a gigantes como a Ebay.

Ebay

Empresa gigante de comércio online, com sede administrativa nos Estados Unidos, cujos lucros vêm da intermediação nas negociações e de taxas sobre as vendas.

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3) Resonate 

Plataforma cooperativa de música por stream, em que os donos são os usuários, e a remuneração dos artistas é muito superior ao que é pago por plataformas tradicionais.

Spotify

Serviço de streaming “freemium” (recursos básicos gratuitos e recursos adicionais pagos), que remunera os artistas com direitos autorais, através das gravadoras.

 

4) Stocksy 

Banco cooperativo de imagens royalty-free de alta qualidade, com base no compartilhamento justo dos lucros e na copropriedade: todos os fotógrafos têm voz na gestão.

Shutterstock 

Empresa com sede em Nova York que disponibiliza arquivo próprio na rede. Os fotógrafos recebem pela venda de suas imagens ao banco, que os classifica por categorias.

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Conhece uma plataforma que empodere mais seus fornecedores que a de cooperativismo? Qual, na sua opinião, é o desafio para essas plataformas se popularizarem na prática? Questione. Compartilhe. Vamos pensar juntos.

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