Já parou para pensar em quem produziu o que você está consumindo?

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Fair Trade, ou Comércio Justo, na tradução livre para o português, é uma abordagem alternativa ao comércio convencional, baseada em uma parceria entre produtores e comerciantes, empresas e consumidores. Nós mesmos, aqui no GC, já falamos sobre Fair Trade lá atrás.

Oi? Então quer dizer que nem todo comércio é justo? Isso mesmo. Na grande maioria das vezes, agricultores e trabalhadores, no início da cadeia produtiva, não recebem uma parcela justa sobre o produto que a gente consome todos os dias no supermercado.

Você sabe, por exemplo, quem produziu a roupa que está vestindo hoje e quanto essa ou essas pessoas receberam pela calça que você pagou caríssimo no shopping? Vamos mais além: quem plantou e colheu o algodão utilizado para produzir essa peça e quanto recebeu por isso? Possivelmente, essas pessoas receberam centavos.

Mas os benefícios do Fair Trade vão muito além do preço justo. Ele significa o fortalecimento da agricultura familiar, que passa, necessariamente, pela organização em associações e cooperativas.

 

O que é Fair Trade?

A International Federation of Alternative Trade (Federação Internacional de Comércio Alternativo) define o Fair Trade como uma parceria comercial, baseada em diálogo, transparência e respeito, que busca maior equidade no comércio internacional, contribuindo para o desenvolvimento sustentável por meio de melhores condições de troca e garantia dos direitos para produtores e trabalhadores à margem do mercado.

Assim como o cooperativismo, o Fair Trade também possui seus sete princípios que estabelecem uma relação comercial justa. São eles:

  1. Transparência e corresponsabilidade na gestão da cadeia produtiva e comercial;
  2. Relação de longo prazo que ofereça treinamento e apoio aos produtores e acesso às informações do mercado;
  3. Pagamento de preço justo no recebimento do produto, além de um bônus que deve beneficiar toda a comunidade, e de financiamento da produção ou do plantio, ou a antecipação do pagamento da safra, quando necessário;
  4. Organização democrática dos produtores em cooperativas ou associações;
  5. Respeito à legislação e às normas (por exemplo, trabalhistas) nacionais e internacionais;
  6. O ambiente de trabalho deve ser seguro e as crianças devem frequentar a escola;
  7. O meio ambiente deve ser respeitado.
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5 marcas com o selo do Comércio Justo

Tá, Geração. Tô entendendo. Mas existem no Brasil marcas com o selo Fair Trade? A gente precisa saber!

Calma. Existem sim e são muitas. Veja apenas cinco exemplos dessas marcas:

 

1 – Ben&Jerry’s

A marca norte-americana de sorvetes Ben&Jerry’s, leva a justiça a sério, seja na forma como trata os funcionários, como coopera com as comunidades onde atua, ou na sua relação com os fornecedores. Por isso, a Ben&Jerry’s busca garantir que os agricultores com quem trabalham também consigam acordos comerciais justos.

Em 2017, a marca pagou mais de U$ 12 milhões em bônus sociais a pequenos agricultores e cooperativas agrícolas em todo o mundo, e tudo está descrito detalhadamente em seu site.

 

2 – Gallette Chocolates

A marca paulista de chocolates artesanais acredita que chocolate é muito mais do que um doce, e comê-lo vai muito além da deliciosa experiência do paladar. Eles sonham com um mundo onde as pessoas se preocupam umas com as outras e, por isso, buscam produzir chocolates com matérias-primas que não empreguem o trabalho infantil nem mão de obra escrava, além de utilizar embalagens e produtos que respeitem o meio ambiente.

Conforme consta em seu site, “Comércio Justo significa não só que os trabalhadores foram pagos de forma justa, mas também os agricultores tiveram condições de trabalho seguras e ambientalmente amigáveis”.

 

3 – Vert Shoes

A marca francesa de calçados Vert é produzida na cidade gaúcha de Campo Bom. A Vert não se define como uma marca, mas sim como um projeto, ainda em construção, na busca da excelência em termos de Fair Trade.

Eles utilizam algodão do sertão nordestino, plantados sem agrotóxicos, adubos químicos ou transgênicos, de acordo com os princípios sustentáveis da agroecologia. A Vert trabalha com cerca de 700 famílias que vivem da agricultura orgânica no semiárido nordestino. A borracha, utilizada para os solados dos tênis, é comprada diretamente de três associações de seringueiros na Amazônia, pagando um preço diferenciado pelo látex, o que valoriza o trabalho do seringueiro, e assim ajuda a luta contra o desmatamento.

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Como projeto ainda em construção, está no horizonte da Vert conhecer e ter o controle de toda a cadeia de fornecedores de couro, desde a alimentação e condições de vida do gado até o curtimento e seus efeitos no meio ambiente.

 

4 –Catarina Mina

A marca cearense de bolsas Catarina Mina acredita em uma moda diferente focada em quem produz, e que concentra seus esforços em questionar, repensar, refletir e tomar decisões levando em consideração um coletivo. Uma moda que se sustenta em um futuro de colaboração muito mais que de disputa.

Em seu site, a Catarina Mina se define como “Um produto que já vem junto de um ponto de interrogação. Quem desenhou, fez, revisou, cuidou de sua bolsa até que chegue em sua mão?”

 

5 – Osklen

A Osklen é uma marca de moda do interior fluminense e se orgulha de ser pioneira em sustentabilidade na moda brasileira, quando, em 1988, lançou a primeira camiseta t-shirt feita em algodão orgânico. Desde então, aumentaram cada vez mais o uso de matérias-primas e processos sustentáveis na produção de suas coleções e, ao longo dos últimos dez anos, estima a marca recorde de mais de 1 milhão de garrafas PET recicladas para a fabricação de peças e-fabrics (tecidos e materiais cuja origem e processo de produção respeitem critérios de comércio justo e de desenvolvimento sustentável.)

Essas peças chamadas e-fabrics utilizam materiais de origens recicladas, orgânicas, naturais e artesanais, desenvolvidos por comunidades, cooperativas, ou por grupos industriais.

 

Um 6º exemplo

No sexto episódio da websérie Fala Ae, Geração, que nós, do GC, levamos ao ar no nosso canal no YouTube  no ano passado, conhecemos a iniciativa da William&Sons, uma boutique-cafeteria e microtorrefação de cafés especiais de Porto Alegre, que valoriza a agricultura familiar a partir do reconhecimento dos pequenos produtores de café, seus fornecedores, destacando a origem de cada grão comercializado.

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Em seu site, a William & Sons afirma: “O produto não é maior que o seu produtor”. Embora não possuam o selo Fair Trade, a marca leva consigo os princípios do Comércio Justo e merece ser citada.

 

O certificado Fair Trade

A certificação Fair Trade é um movimento mundial presente em mais de 100 países. Somente produtores organizados em associações ou cooperativas podem obter a certificação Fair Trade (não é possível a certificação de propriedades ou empresas individualmente).

Para ser certificada, entre outros quesitos analisados, a associação ou cooperativa de produtores deve ser democrática, transparente, legalmente constituída e, no caso de produtores agrícolas, a associação ou cooperativa deve garantir que mais de 50% de seus associados são da agricultura familiar.

 

E o que o cooperativismo tem a ver com Fair Trade?

Tudo! O cooperativismo tem tudo a ver com Fair Trade. Primeiro, porque, como vimos, para que marcas obtenham o selo Fair Trade, elas precisam estar organizadas em associações ou… Cooperativas! Isso mesmo. Cooperativas.

Segundo, porque você não precisa ficar procurando marcas com selo Fair Trade para ter certeza que está praticando Comércio Justo. Ao comprar produtos de cooperativas, você já sabe que está praticando Fair Trade, porque as cooperativas são exemplos de consumo sustentável preocupadas com o bem-estar de quem produz.

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