Através de plataformas digitais, cooperativas de agricultores familiares vendem direto para grandes indústrias

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Olha que legal, Geração!

O sonho de todo agricultor familiar é conseguir vender a sua produção a bom preço, não é mesmo?

Agora, novas plataformas digitais estão oportunizando uma ponte direta entre a agricultura familiar e grandes indústrias do setor de alimentos.

Funciona assim: novas empresas de tecnologia – as nossas já conhecidas startups – e Organizações Não Governamentais (ONGs) estão à frente dessas iniciativas que pretendem facilitar o acesso a itens produzidos por pequenas cooperativas da agricultura familiar espalhadas pelo Brasil e acabar com os atravessadores, que ficam com boa parte do lucro dos pequenos agricultores.

Sem eles, o preço de venda tende a ser mais vantajoso para os agricultores familiares.

Duas grandes iniciativas

Uma dessas empresas é a Sumá, a qual surgiu em 2014 e atua na capacitação do agricultor familiar, apoiando o seu desenvolvimento e o alinhando às exigências dos compradores regulares de alimentos.

Além disso, a startup contribui com informações reais do campo para que o comprador elabore seus cardápios de acordo com os planos de produção locais, e em sintonia com a sazonalidade dos produtos.

Outra iniciativa bem legal é a Conexsus, uma rede de empreendedores sociais que trabalha para acelerar a transição para a economia de baixo carbono e fortalecer a resiliência territorial e climática, a partir do desenvolvimento de negócios sustentáveis.

Um dos projetos apoiados pela Conexsus é a Central do Cerrado, que reúne cooperativas sem fins lucrativos de sete estados (MA, TO, PA, MG, MS, MT e GO). A Conexsus tenta ajudar no desenvolvimento de novos produtos e modelos de negócio, além de facilitar o acesso ao mercado.

Negócios pela Terra

A Conexsus criou a plataforma Negócios pela Terra, a qual liga produtores da agricultura familiar a indústrias de alimentos e restaurantes, que funciona, também, como uma grande ferramenta de fair trade.

Através da plataforma Negócios da Terra, são feitos o mapeamento dos produtores e a identificação das empresas interessadas em comprar os alimentos.

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Para essas empresas, o benefício é o acesso a cadeias produtivas sustentáveis e o impacto positivo respondendo a essa tendência de consumo. Já para os produtores, a garantia de estar inserida no mercado e a comercialização da sua produção por um preço justo.

Com isso, a Negócios da Terra busca, através da conexão entre agricultores familiares e compradores, impactar positivamente no meio ambiente e no desenvolvimento local das regiões onde atua.

Agricultura familiar no Brasil

Agricultura familiar é o cultivo da terra realizado por pequenos proprietários rurais, tendo como mão de obra, essencialmente, o núcleo familiar: pai, mãe, filhos, tios…

Agora, olha a importância da agricultura familiar aqui no Brasil!

Você sabia que, se o Brasil tivesse somente a agricultura familiar, ainda seríamos o 8º maior produtor de alimentos do mundo?

No país, 84% dos estabelecimentos rurais são de agricultores familiares, que se organizam em cooperativas para terem melhor acesso a tecnologias, insumos, assistência técnica, armazenagem, comercialização e transporte das safras.

A agricultura familiar é a base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes, sendo ainda responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa do país, algo em torno de 35 milhões de pessoas. É muita gente!

87% da mandioca produzida no Brasil é de agricultura familiar, assim como 70% do feijão, 60% do leite, 59% dos suínos, 50% das aves, 38% do café, 34% do arroz, 30% dos bovinos e 21% do trigo.

Ou seja, se você almoçou ou ainda vai almoçar hoje, provavelmente mais da metade do que você coloca no prato vem da agricultura familiar.

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Agricultura familiar e a sustentabilidade

Além de fundamentais para o desenvolvimento econômico do país, os agricultores familiares são essenciais, também, para a sustentabilidade socioeconômica e ambiental.

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Eles são a maior prova de que é possível produzir comida de forma sustentável.

Embora nem todo agricultor familiar seja 100% orgânico ou agroecológico, eles são os protagonistas desse tipo de cultivo, que respeita os processos da natureza, evitando impactos negativos na nossa saúde e no meio ambiente.

Assim, mesmo não produzindo os chamados alimentos orgânicos, o tipo de cultivo empregado utiliza menor quantidade de agrotóxicos, responsáveis por causar diversos impactos ambientais e problemas de saúde.

Este método de cultivo também utiliza maquinários em menor escala, o que reduz os prejuízos ao solo e o desperdício de recursos naturais.

A agricultura familiar, portanto, é uma iniciativa capaz de ampliar a distribuição de renda e a produção de alimentos, melhorando a qualidade de vida e ajudando a preservar a biodiversidade.

Por isso, nós, do Geração Cooperação, não cansamos de dizer: Agricultura familiar é coop. E coop é sustentabilidade!

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